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ISBN 85 7675 130 5
Mzungu é "menino branco" em swahili, mas isso
não importa muito para Kariuki
inglês e neto do dono das
terras onde a família de Kariuki mora.

Naqueles meses de 1950, quando o Quênia começava a lutar pela independência,
Kariuki e Nigel - negro e branco, queniano e inglês na floresta.

Entre rebeliões e mortes, os dois descobrem que a verdadeira amizade independe
da cor da pele, da riqueza e do poder: precisa apenas de respeito e confiança.

Meja Mwangi nasceu no Quênia, em 1948. É autor de diversos livros premiados e
traduzidos para o alemão, russo e japonês. Atualmente é considerado um dos
mais importantes autores africanos.
MZUNGU
experiências vividas por ele.

Nasci no Quênia, ao pé do monte Quênia, e cresci
na cidade de Nanyuki, e em seus arredores.
Naquela
época, meu país era uma colônia britânica. Estava ocorrendo uma guerra pela
independência, e os
mau-mau, como eram conhecidos aqueles que lutavam pela liberdade,
pegaram em armas contra o governo colonial e os dominadores britânicos que, por meio da
força, roubaram as terras dos africanos e os obrigaram a viver como escravos em seu
próprio país.



Uma das maiores bases do exército britânico ficava em Nanyuki, e tentava sufocar a
rebelião. O governo havia prometido eliminar os
mau-mau, que travavam um combate de
guerrilha contra o regime colonialista e os fazendeiros brancos.

o exército britânico e os colonizadores que habitavam a Nanyuki tinha um conjunto de lojas
e mercados que abastecia havia uma divisão racial na cidade. Os europeus dispunham da
maior parte das terras, os asiáticos eram donos de todas as lojas e mercados, e os
africanos trabalhavam para ambas as comunidades. As raças não se misturavam, exceto no
relacionamento entre senhores e criados. Sempre que os negros compravam nas lojas dos
brancos, eram obrigados a usar a porta ou a janela dos fundos, pois não podiam entrar
pela frente.

Com exceção daqueles que moravam e trabalhavam nas fazendas dos colonizadores, todos
os outros africanos habitavam uma favela conhecida como Majengo. Cercada com portão
era vigiado por soldados armados. Ninguém podia entrar ou sair sem uma carteira de
identidade e documento de trabalho, provando que viviam ou trabalhavam em Nanyuki.

Minha mãe era comerciante em Majengo. Ela comprava milho dos fazendeiros, triturava-o
até transformá-lo em farinha e então vendia no mercado africano de Majengo. Depois,
quando a guerra dos mau-mau se agravou e ficou difícil atuar no comércio, ela
empregou-se como jardineira de uma família européia. Em seguida, trabalhou como criada,
cozinheira e, finalmente, como babá. Nigel, o menino mzungu, era filho de um dos patrões
de minha mãe. Seu pai era sargento do exército inglês. Embora não fôssemos encorajados,
Nigel e eu nos tornamos bons amigos. Sempre que seus pais estavam fora, Nigel vinha me
procurar para que brincássemos juntos.

Eu freqüentei uma escola católica, em Majengo. Toda segunda-feira de manhã
precisávamos levar um bilhete da igreja informando que tínhamos ido à missa no dia
anterior. Após a missa, eu gostava de explorar a floresta que crescia entre os dois rios. Às
vezes ia pescar, embora apanhar peixes sem licença fosse uma atividade proibida, e, nas
férias escolares, participava de caçadas com outros colegas. Era proibido caçar também,
mas nós arriscávamos mesmo assim. De vez em quando, os guardas florestais nos
pegavam e, então, era terrível! Primeiro os guardas nos batiam, depois levávamos uma
surra de nossos pais e professores. Algumas dessas experiências inspiraram a história de
Mzungu.

Comecei bem cedo a contar histórias. Às vezes, à tarde, o professor nos levava para fora,
para que nos sentássemos debaixo de uma árvore e desfiássemos aventuras. Eu era o
contador de histórias oficial da classe, mas só fui descobrir os livros de ficção no curso
secundário. Foi nessa época que comecei a escrever minha primeira obra, um romance
sobre um general
mau-mau que enfrentava a morte na selva. O livro acabou sendo
publicado com o nome de
Carcaça para os cães. Mesmo assim, a idéia de me tornar um
escritor nunca me passou pela cabeça. Só queria contar histórias.

Meja Mwangi Fevereiro/2006
MZUNGU
EDICOES SM, 2006
diesel e seu feno, foi um
moleque quem primeiro
viu a
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